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Roteiro em Minas: quatro dias entre Belo Horizonte e Ouro Preto

Do modernismo da Pampulha ao barroco de Ouro Preto, o roteiro do BLOCO percorreu diferentes momentos da arquitetura brasileira, entre edifícios históricos, design contemporâneo, gastronomia mineira e duas cidades que ajudam a contar como o Brasil foi construído.

Em sua mais recente experiência, a GALERIA.54 reuniu arquitetos convidados para quatro dias entre Belo Horizonte e Ouro Preto. Mais do que visitar duas cidades, o percurso foi pensado como uma imersão na arquitetura brasileira: começamos pela produção contemporânea, atravessamos o projeto moderno da nova capital mineira e terminamos entre as igrejas, os casarões e as ladeiras de uma das cidades coloniais mais preservadas do país.

Ao longo da viagem, conhecemos obras fundamentais de Oscar Niemeyer, revisitamos a história do barroco mineiro, descobrimos novos nomes do design e experimentamos alguns dos endereços mais interessantes da gastronomia local.

Confira as dicas do BLOCO e aproveite para explorar Belo Horizonte e Ouro Preto em uma viagem de quatro dias.

O que ver em Belo Horizonte

CASACOR Minas

A 31ª edição da CASACOR Minas ocupou um edifício histórico da PUC Minas no bairro de Lourdes, projetado pelo arquiteto italiano Raffaello Berti no final da década de 1930. Com 40 ambientes assinados por 53 profissionais, a mostra apresentou um panorama da arquitetura, do design e do paisagismo contemporâneos, criando um interessante diálogo entre as intervenções atuais e a estrutura original do prédio.

Conjunto Moderno da Pampulha

Criada no início da década de 1940 por iniciativa de Juscelino Kubitschek, então prefeito de Belo Horizonte, a Pampulha foi concebida como um novo centro de cultura e lazer ao redor de um lago artificial. Oscar Niemeyer projetou o conjunto em colaboração com Roberto Burle Marx, Cândido Portinari, Alfredo Ceschiatti e o engenheiro Joaquim Cardozo. O percurso inclui a Igreja São Francisco de Assis, a Casa do Baile, o antigo Cassino — atual Museu de Arte da Pampulha — e o Iate Tênis Clube. Reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO, o complexo é um marco da arquitetura moderna brasileira pela integração entre edifícios, arte, jardins e paisagem.

Também faz parte dessa história a Casa Kubitschek, projetada por Niemeyer como residência de fim de semana de JK. Com cobertura inclinada em forma de asa de borboleta, interiores que preservam referências do morar moderno e jardins concebidos por Burle Marx, a casa ajuda a compreender a dimensão doméstica do projeto da Pampulha.

Praça da Liberdade

Projetada para concentrar o poder administrativo da nova capital mineira, a Praça da Liberdade reúne edifícios de diferentes períodos da história de Belo Horizonte. Entre eles estão o Palácio da Liberdade, inaugurado em 1898, e antigas secretarias estaduais que hoje abrigam espaços como o Memorial Minas Gerais Vale e o MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal. O conjunto foi transformado no Circuito Liberdade, integrando museus, centros culturais, jardins e cafés.

O principal destaque moderno é o Edifício Niemeyer, projetado por Oscar Niemeyer em 1954. A fachada sinuosa, marcada pela repetição de linhas horizontais e brises, cria uma sensação de movimento e faz com que o prédio pareça mais alto do que realmente é. O contraste entre suas curvas e a arquitetura eclética dos edifícios históricos ao redor é uma das imagens mais interessantes da praça.

Mercado Novo

Construído na década de 1960, o Mercado Novo tornou-se um dos principais pontos de encontro da vida cultural e gastronômica de Belo Horizonte. Sua estrutura modernista, formada por corredores extensos e pequenas lojas, abriga comércios tradicionais, bares, restaurantes, cafés, ateliês e marcas autorais. É um bom lugar para experimentar a atmosfera descontraída da cidade e conhecer uma nova geração de projetos criativos mineiros. Durante o roteiro, escolhemos o Ladeira para o almoço.

América Móveis

Para conhecer a produção contemporânea do design mineiro, incluímos uma visita à América Móveis. O showroom apresenta coleções desenvolvidas em parceria com nomes da arquitetura e do design brasileiro, aproximando processos industriais, pesquisa de materiais e mobiliário autoral. A visita criou uma conexão entre a história da arquitetura vista ao longo do roteiro e aquilo que está sendo produzido em Minas atualmente.

Onde ficar em Belo Horizonte - TRIBE Belo Horizonte Savassi

Em frente à Praça da Liberdade, o TRIBE Belo Horizonte Savassi ocupa um edifício histórico revitalizado a partir do projeto das arquitetas Beth Nejm e Juliana Caixeta. A localização permite explorar a pé boa parte do Circuito Liberdade e também facilita o acesso à CASACOR Minas. No térreo está o Broa Coffee Shop e, na cobertura, o Coreto Bar, rooftop com vista para a cidade.

Gastronomia - Gata Gorda

Comandado pela chef Bruna Martins, o Gata Gorda combina sabores afetivos, pratos para compartilhar e uma atmosfera animada de resto-bar. É uma boa escolha para um jantar descontraído depois de um dia percorrendo a cidade.

Gastronomia - Ladeira

Localizado no Mercado Novo, o Ladeira oferece uma cozinha acolhedora em um ambiente informal. É uma parada que permite aproveitar o almoço e, depois, continuar explorando os bares, lojas e pequenos projetos distribuídos pelos corredores do mercado.

Gastronomia - Trintaeum

Instalado no TRIBE, o Trintaeum é comandado pela chef Ana Gabi e trabalha com referências da cozinha mineira em uma leitura contemporânea. A localização dentro do hotel faz dele uma opção especialmente agradável para encerrar o dia sem sair da região da Praça da Liberdade.

Coreto Bar

Na cobertura do TRIBE, o Coreto Bar tem vista aberta para Belo Horizonte e funciona bem para um encontro no final da tarde ou antes do jantar. Durante a viagem, o rooftop se tornou o ponto de encontro do grupo entre os diferentes momentos do roteiro.

O que ver em Ouro Preto

Centro Histórico

Antiga Vila Rica, Ouro Preto se desenvolveu entre o final do século XVII e o século XVIII, impulsionada pela mineração do ouro. Igrejas, casarões, pontes e chafarizes ocupam uma paisagem marcada por ladeiras e vales, formando um dos conjuntos urbanos coloniais mais preservados do país. A riqueza artística da cidade, entretanto, está diretamente ligada às contradições do período, sustentado pela exploração dos recursos naturais e pelo trabalho de pessoas escravizadas. Em 1980, Ouro Preto tornou-se a primeira cidade brasileira reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO.

Praça Tiradentes e Museu da Inconfidência

A Praça Tiradentes é o centro simbólico de Ouro Preto. Em uma extremidade está o antigo Palácio dos Governadores, atual Museu de Ciência e Técnica da Escola de Minas; na outra, a antiga Casa de Câmara e Cadeia, hoje Museu da Inconfidência. O museu reúne objetos, documentos e obras relacionados à formação de Minas Gerais, à vida em Vila Rica e à Inconfidência Mineira. O Panteão dos Inconfidentes guarda os restos mortais atribuídos a participantes do movimento, ajudando a compreender como a conspiração de 1789 se transformou em um dos principais episódios da narrativa histórica brasileira.

Igreja São Francisco de Assis

Considerada uma obra-prima da arte colonial brasileira, a Igreja São Francisco de Assis reúne trabalhos de Aleijadinho e Mestre Ataíde. Aleijadinho participou do projeto arquitetônico, da portada e dos elementos escultóricos em pedra-sabão, enquanto Ataíde foi responsável pela célebre pintura do forro da nave. A composição cria a ilusão de que o teto se abre para o céu e apresenta figuras com traços e tonalidades próximos à população mestiça de Minas Gerais. A igreja sintetiza a maneira como referências europeias foram reinterpretadas por artistas locais, dando origem a uma expressão particular do barroco e do rococó mineiros.

Basílica de Nossa Senhora do Pilar

A aparência externa relativamente discreta da Basílica de Nossa Senhora do Pilar contrasta com seu interior intensamente ornamentado. Altares, colunas, esculturas e superfícies de talha dourada revelam a riqueza acumulada por Vila Rica durante o ciclo do ouro. Construída e decorada ao longo de diferentes períodos do século XVIII, a igreja também permite observar como as irmandades religiosas e as hierarquias sociais da cidade colonial se manifestavam na organização do espaço sagrado.

Casa dos Contos

Construída entre 1782 e 1784 para o contratador de impostos João Rodrigues de Macedo, a Casa dos Contos é um dos exemplares mais importantes da arquitetura civil de Ouro Preto. O casarão esteve ligado à arrecadação colonial, serviu como prisão durante a repressão à Inconfidência Mineira e, posteriormente, tornou-se sede da administração financeira da capitania. Atualmente, seu acervo aborda o ciclo do ouro, a formação monetária do país e a escravidão, oferecendo uma perspectiva econômica e social da história que complementa a visita às igrejas.

Grande Mina Central

A apenas 350 metros da Praça Tiradentes, a Grande Mina Central foi redescoberta recentemente e possui mais de 600 metros de galerias abertas à visitação. O percurso subterrâneo ajuda a compreender como acontecia a extração do ouro e as duras condições de trabalho das pessoas escravizadas durante o período colonial.

Onde ficar em Ouro Preto - Grande Hotel de Ouro Preto

Projetado por Oscar Niemeyer no final da década de 1930, o Grande Hotel de Ouro Preto representa um encontro singular entre arquitetura moderna e cidade colonial. Em vez de imitar as construções históricas ao redor, Niemeyer adotou pilotis, linhas horizontais, panos de vidro e suítes duplex voltadas para a paisagem. A solução, defendida por Lúcio Costa, tornou-se uma referência sobre como inserir uma construção contemporânea em um conjunto protegido sem recorrer à reprodução artificial do passado.

Hospedar-se no Grande Hotel permite vivenciar a arquitetura para além da observação. Dos quartos, corredores e áreas sociais, as aberturas do edifício enquadram as igrejas, os telhados e as montanhas de Ouro Preto. Sua localização central também permite percorrer a pé boa parte do centro histórico.

Gastronomia - Bené da Flauta

Próximo à Igreja São Francisco de Assis, o Bené da Flauta ocupa um casarão com vista para o centro histórico. A localização faz dele uma boa parada entre as visitas às igrejas e aos museus, reunindo pratos da cozinha mineira e uma das paisagens mais características da cidade.

Gastronomia - Varanda 1921

O Varanda Gastropub 1921 funciona em um casarão dividido em diferentes ambientes e encostado em um paredão de rocha. A arquitetura se adapta à topografia de Ouro Preto e cria uma atmosfera intimista. O cardápio aproxima referências mineiras e europeias, sendo uma opção agradável para o jantar depois de um dia percorrendo as ladeiras da cidade.

Gastronomia - O Passo Pizza Jazz

Instalado em um casarão histórico próximo à Casa dos Contos, o O Passo Pizza Jazz combina pizzas artesanais, música e uma atmosfera especialmente agradável. Seus diferentes ambientes acompanham a arquitetura e os desníveis da construção, com mesas distribuídas entre salões internos, varanda e áreas abertas junto à pedra. Foi um dos lugares que mais gostamos durante a viagem, tanto pela comida quanto pelo clima descontraído.